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CIMES debate a inovação e o impacto da indústria 4.0 na Saúde

Sob o tema Saúde 4.0 – Inovação e Conectividade começou nesta quinta-feira, o 6º CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), evento realizado pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), com a participação de representantes da indústria, da academia e do setor regulatório na área da saúde.

O presidente da Abimo, Franco Pallamolla, explicou que o evento pretende debater temas como conectividade, inovação, segurança dos dados e internet das coisas, temas que terão forte impacto em toda a indústria, e que servirão para que a entidade possa ter uma visão de futuro para ajudar a orientar o desenvolvimento das empresas associadas, a maioria de pequeno porte.

O presidente do Sinaemo e diretor titular do ComSaúde, Ruy Baumer, ressaltou que este ano o congresso tem o maior público de todos até o momento e também a importância de debater o tema: “Temos aqui mais de 30 entidades que trabalham voltadas ao tema – órgãos de governo, centros de pesquisa e empresas – que a organização do CIMES traz no intuito de dar direcionamentos efetivos”.

João Paulo Pieroni, chefe de departamento do Complexo Industrial e de Serviços de Saúde do BNDES, explicou que o Banco tem a saúde como uma das prioridades de atuação e ressaltou a necessidade de que sejam aprimorados os investimentos em inovação. Relatou o andamento do Plano Nacional de IoT, cuja primeira proposta deverá ser divulgada em setembro, explicando que ontem houve uma reunião com o grupo temático de saúde, um dos segmentos prioritários do plano, ocasião que foram debatidas questões como quais os principais segmentos saúde que devem ser desenvolvidos, quais os gargalos a ultrapassar para cumprir esses objetivos, para que possa se traçar um plano de ação estratégico paro pais. “O setor de saúde é um mundo, por isso precisamos definir prioridades”, enfatizou.

O diretor de comunicação do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), Diego Espindola de Avila, falando sobre a importância da conectividade, ressaltou a relevância da tecnologia de telemedicina para o acesso à saúde por pessoas de cidades mais afastadas. Ele citou a iniciativa pioneira do estado do Rio Grande do Sul, onde atua também como presidente do conselho de secretarias municipais de saúde, que por meio de telemedicina disponibiliza o auxílio especializado para o atendimento a distância de pacientes vítimas de urgências e emergências cardiovasculares e que residem em áreas ou cidades de difícil acesso. “Ações similares estão sendo pensadas também para as áreas de oftalmologia e neuro”, explicou.

Miguel Antonio Cedraz Nery, diretor da ABDI, falou sobre a importância estratégica do setor de saúde para a competitividade do país. “Nossa indústria tem que avançar a passos largos no sentido de garantir um alinhamento no que temos de tecnologia avançada no mundo”, disse citando iniciativas como o a expansão do programa Brasil Mais Produtivo, que deve receber mais R$ 50 milhões de recursos.“

Disse ainda que, em parceria com MDIC, a ABDi está desenvolvendo uma plataforma de hospital inteligente com alocação de tecnologia de ponta para disseminar para a cadeia hospitalar.

Representando o Ministério da Saúde, o secretário da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Marco Fireman, afirmou que ser empresário no Brasil é um grande desafio devido à falta de políticas públicas e que é em eventos como o CIMES que os empresários têm voz. Para ele, o Brasil ainda vive um momento muito incipiente no que diz respeito à integração entre os players envolvidos: “Falta a gente conectar a inovação com universidade, centros de pesquisa e indústrias”.·.

Para Marcos Vinícius de Souza, secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a escolha dos temas pela comissão científica do CIMES foi muito feliz. “Esses pontos que serão abordados estão alinhados com o que estamos discutindo no governo, dentro de três áreas de atuação”, explicou, referindo-se à portaria do MCTIC que cria um grupo de trabalho interministerial para elaborar a Estratégia Digital Brasileira, com as prioridades do país na chamada economia digital.

Ele também ressaltou o lançamento, em 1º de agosto, da consulta pública da “Estratégia Brasileira para a Transformação Digital”. Trata-se de um conjunto de diagnósticos, diretrizes e metas, para os próximos cinco anos, relacionado às áreas de governo eletrônico, infraestrutura, processos produtivos, pesquisa e desenvolvimento, confiança e ambiente digital e capacitação com foco no desenvolvimento na adoção e uso de TICs, por todas as camadas da sociedade e participação do Brasil na economia digital.

Disse que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social solicitou até o final de setembro a proposta do marco legal de Ciência e Inovação e da revisão da Lei do Bem, para incentivar a indústria nacional.

“Jarbas Barbosa da Silva Júnior, diretor-presidente da Anvisa, reconheceu que a competitividade da indústria da saúde, desafia o órgão regulador a ser mais adaptável e flexível” Disse que a agência tem discutido formas de regulação para regras mais rápidas para importação de materiais de pesquisa e priorização de análises.

Representando o Ministério da Saúde, o secretário da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Marco Fireman, afirmou que ser empresário no Brasil é um grande desafio devido à falta de políticas públicas. “O Brasil ainda vive um momento muito incipiente no que diz respeito à integração entre os players envolvidos, Falta a gente conectar a inovação com universidade, centros de pesquisa e indústrias”.

A secretária de estado Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella, abordou a necessidade do engajamento do cliente, do paciente e do médico para que a conectividade funcione e faça sentido: “Estamos falando de um novo mundo onde, dentro dos objetivos do desenvolvimento sustentável, fala-se de melhor saúde para todos e qualidade de vida”, iniciou. “Quando falamos do modelo 4.0, onde o mundo digital gira mais perto do objetivo final, que é o paciente, estamos revertendo uma política hospitalocêntrica, para um atendimento cada vez mais especializado.”
Segundo a secretária, essa mudança impacta no custo, no acesso e acima de tudo, na qualidade. “Adicionar novas tecnologias à saúde tem sempre um grande significado, não apenas como na inovação, mas como garantia do acesso qualificado.