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Na era da Saúde Digital, a doença pode ser crônica, mas o paciente não precisa ser!

Com o avanço da Medicina nestes últimos 100 anos, a expectativa de vida das pessoas tem aumentado significativamente. Tome por exemplo o Brasil. Segundo o IBGE, a expectativa de vida da população aumentou 41,7 anos em pouco mais de um século. Em 1900, a expectativa de vida era de 33,7 anos, dando um salto significativo em pouco mais de 11 décadas, atingindo 75,4 anos em 2014. Em vários outros países com condições similares ou melhores que a nossa, o mesmo tem acontecido. Estamos vivendo mais!

Segundo a terceira lei de Newton, para cada Ação existe uma Reação.

Consequentemente, nossos corpos tem reagido a uma vida mais longa com o desenvolvimento de doenças crônicas, que acabavam não aparecendo antes simplesmente por que as pessoas não viviam o suficiente para desenvolvê-las. Se adicionarmos ao processo natural do envelhecimento os estilos de vida modernos menos saudáveis, como má alimentação, sedentarismo e stress excessivo, apenas para citar alguns, somos submetidos a uma sobrecarga física enorme que acelera ainda mais o aparecimento das doenças crônicas. Por isso que os dados mais recentes tem sido alarmantes: Mais de 50% da população global vive com uma doença crônica!

Como a Saúde Digital entra nesse cenário aparentemente desalentador?

Bem, temos notado que a tecnologia para lidar com doenças crônicas está avançando rapidamente nos cuidados de saúde. Em todo o mundo, comunidades e organizações de saúde estão usando a tecnologia para combater condições como a doença de Alzheimer, câncer e obesidade, junto com seus custos financeiros e humanos. Algumas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são responsáveis por 67,3% das mortes no Brasil. Essa categoria inclui as doenças pulmonares, os cânceres (neoplasias), diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão arterial sistêmica, como mostra o gráfico abaixo – todas com tratamentos disponíveis.

O aumento dessas doenças representa custos significativos, tanto para os sistemas nacionais de saúde como para os indivíduos. Por isso, Prevenção é a chave, tanto para os pacientes como para o sistema de saúde, pois os custos de saúde para um paciente com mais de cinco condições crônicas podem ser superiores a 15 vezes mais que um paciente com nenhum, de acordo com um recente relatório norte-americano.

Para fazer frente a este enorme desafio das doenças crônicas, temos um crescente arsenal de produtos e soluções digitais que estão aparecendo principalmente na última década. Vão desde os mais variados wearables e Biosensoresaplicativos para smartphonestelemedicina e monitoramento remoto dos pacientes, Internet das Coisas que transforma especialidades como a fisioterapia, e plataformas de engajamento do paciente em seu próprio tratamento.

Um paciente poderia esquecer um sintoma vital que poderia ser prejudicial na determinação da maneira como um médico fornece tratamento. Ou, alternativamente, pode haver outros sintomas de saúde que eles não estão cientes de que poderiam ser sinais de um piora do diagnóstico. Além disso, quando você sofre de uma doença crônica, há uma série de doenças associadas às quais os pacientes se tornam condicionados (por exemplo, a dor). Eles têm um “novo normal”, então eles podem omitir detalhes sobre essas doenças associadas porque não se lembram mais de quando viviam sem elas.

De muitas maneiras, a tecnologia wearable poderá aumentar dramaticamente o total de dados do paciente monitorado, o que logicamente levaria a melhores resultados terapêuticos. E além disso, existem muitos wearables que podem ajudar a aconselhar, lembrar ou apoiar o paciente com várias recomendações para uma saúde mais equilibrada. Algumas das soluções atuais já incorporam passivamente sensores, constantemente coletando dados e sendo incluídos de forma transparente no armamento de tratamento de um paciente.

Como deve ter notado, o tema deste artigo tem dois focos: Doenças Crônicas x Saúde Digital. Mas o que devemos buscar na incorporação das tecnologias e soluções que a Saúde Digital tem trazido é algo ainda mais relevante do que a gestão das doenças crônicas em si – é a libertação dos pacientes! Eles não precisarão mais ser Pacientes Crônicos, serão simplesmente pacientes com o controle de suas condições crônicas.

No final, a Saúde Digital é promotora e qualificadora do usufruto de uma vida mais digna!  

Abraço a todos!

Guilherme Rabello, responde pela Gerencia Comercial e Inteligência de Mercado do InovaInCor – InCor / Fundação Zerbini (grabello.inovaincor@zerbini.org.br). Atua como consultor, palestrante e escreve artigos sobre inovação, tecnologia e negócios.