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Os Wearables da Saúde – A fronteira final na Medicina personalizada?

No final do século 19, mais precisamente em 1895, o professor de física Wilhelm Konrad Roentgen apresentou seu trabalho científico sobre a descoberta de um tipo de raio, ainda não conhecido, que conseguia ultrapassar o papelão que envolvia o tubo de irradiação e iluminar a tela que ficava atrás do tubo. A essa desconhecida radiação deu o nome de Raios-X, justamente porque não conhecia a sua natureza.

Para mostrar uma de suas possíveis aplicações, ele fez uso desta inovação tecnológica em uma demonstração prática dos raios X, “fotografando” a mão de Albert Von Kölliker, um renomado anatomista, que ao final da apresentação disse ter sido aquele o evento de maior significado em toda a sua vida acadêmica.

Foi concedido a Roentgen o Prêmio Nobel de Física, em 1901, na primeira edição do prêmio!

(Foto da fotografia de Raio-X)

Bem, o impacto desta descoberta dos Raios-X nós sentimos pessoalmente até hoje, mais de 100 anos depois, pois ele ainda é um dos inventos mais empregados na Medicina, permitindo aos profissionais de Saúde “enxergar além do que o olho vê”.

A partir do Raios-X, uma nova safra de tecnologias foram desenvolvidas para se poder gerar imagens Médicas do corpo humano, não-invasiva, de alta fidelidade e capaz de ajudar no tratamento e prevenção de doenças. Presenciamos o aparecimento das tomografias, ressonâncias magnéticas, mamografias, fluoroscopias, PET-Scan, dentre tantas outras.

Porque citamos a descoberta do Raio-X neste artigo? Por um simples fato – ele é emblemático do que a nova tecnologia baseada nos sensores vestíveis (ou Wearables) trará para a Medicina no tocante a “enxergar além do que o olho vê” o nosso corpo e nossos hábitos!

Se o Raios-X são uma “foto” de nós, os Wearables serão o nosso longa metragem! Vão contar toda uma história até então difícil de ser descrita pelas tecnologias do século 20.

O avanço da computação, da Internet, das tecnologias de transmissão sem fio (wireless), da miniaturização dos processadores e sensores, impulsionaram a primeira onda dos Wearables (ou sensores vestíveis), no que designaremos como fase Wearables 1.0 desta tecnologia.

O problema eram os tamanhos dos aparelhos e sua falta de integração. O paciente tinha (e ainda tem em muitas circunstancias) que usar diversos aparelhos, nem sempre simultaneamente, e seus dados geralmente não conseguiam ser armazenados digitalmente para analise. O médico ou profissional de Saúde, de posse dos dados gerados, tem que fazer o trabalho todo de juntar as “peças” de informação e chegar a uma análise do resultado e suas possíveis incongruências. Muito “hard work” e gasto de tempo, como dizem alguns especialistas!

Mas com os novos aparelhos hoje disponíveis, as tecnologias de Internet das Coisas, de computação em Nuvem (Cloud computing), Inteligência Artificial, etc, o trabalho está começando a ficar bem mais simples, inteligente e eficaz.

Bem-vindos ao Wearables 2.0!

Do Health Kit da Apple, do Google’s Fit e SAMI da Samsung, está ficando difícil manter o controle de todos aqueles wearables de Saúde. Vejam os desafios neste vídeo publicado pelo Wall Street Journal, em matéria do repórter Jason Bellini:

Os mais afoitos, que aderem a qualquer tecnologia, se não tomarem cuidado podem acabar replicando a tendência de usarem tudo e qualquer novidade, simplesmente por que elas parecem ajudar você a controlar sua Saúde.

Duas características que deverão guiar esta fase do Wearables 2.0 são:

(1) o wearable vestível inteligente não deve ter que ser lembrado para ser usado e (2) eles devem ter funcionalidades diferentes de simples detecção de parâmetros.

Em outras palavras, a tecnologia precisa tornar-se invisível e o produto wearable ser reconhecido em primeiro lugar e acima de tudo como uma peça de vestuário, em vez de um gadget (dispositivo).

O fato é que com a nova fase dos wearables chegando ao mercado e sendo integrada a sistemas digitais inteligentes e conectados de analise de dados, a Medicina personalizada está cada vez mais próxima. E isto é um mundo totalmente novo, a ser desbravado.

Mas, que tamanho tem este mercado, que desafios ele traz e quais os dilemas que enfrentaremos como usuários? Bem, isso discutiremos no próximo artigo!

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No próximo Post traremos um novo tema relacionado a aonde a Saúde Digital nos levará?

Abraços a todos!

Guilherme Rabello, gerente comercial e Inteligência de Mercado da  InovaInCor – InCor / Fundação Zerbini.

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