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Saúde discute novo formato de remuneração para o setor

Discutir novos modelos de remuneração entre hospitais, operadoras e cooperativas de saúde foi o objetivo do workshop Novos Modelos de Remuneração em Saúde  realizado na quinta-feira, 9, no Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa.

Atualmente, a discussão está dividida entre o formato atual denominado fee-for-service, pagamento por serviço, e o chamado pagamento por pacote de atendimento. O segundo é empregado na Europa e Estados Unidos há cerca de trinta anos e usa uma metodologia baseada em informações extraídas de um banco de dados, cruzando custos x dados dos pacientes, o que significa uma melhor oferta, tanto em resultado quanto em custo e focado na experiência do cliente.

No modelo atual, três fatores colocam a saúde em risco: crise econômica, menos acesso a planos de saúde e a forma de pagamento. Hoje, os hospitais pagam por procedimento e a crise afetou diretamente o número de pessoas com plano de saúde. Houve queda de 2,8 milhões, comparado a 50,4 milhões em dezembro de 2014 para 47,6 milhões em janeiro de 2017, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Além disso, somente em 2016, os gastos das operadoras foi de aproximadamente 60%, somente com internações, contra um crescimento de receitas dos planos de 13% e um aumento do lucro líquido na ordem de 66%.

Outro fator importante é o envelhecimento da população, pois o custo dessa faixa acima dos 60 anos representa 40% dos custos comparados com aqueles com idade abaixo dos 50 anos. Alem disso também aumentou daqueles que têm doenças crônicas, diferentes síndromes, complicações de partos, entre outras.

Segundo o Dr. André Alexandre Osmo, diretor de Desenvolvimento de Projetos em Saúde do Hospital Sírio-Libanês, esses números colocam cada vez mais o setor em risco. Há quatro anos, a instituição utiliza o DRG (Diagnosis Related Group), um sistema de agrupamento de dados de pacientes por classificação de complexidade e gravidade, assim como poucos hospitais no Brasil; o mesmo formato empregado nos Estados Unidos e Europa. O sistema ajuda a criar modelos de remuneração conforme a complexidade de pacientes de várias doenças a partir da análise das informações extraídas do banco de dados.

“Criamos uma metodologia para a geração de pacotes com base nos dados gerados pelo DRG com o objetivo de reduzir preços e custos, mantendo a margem de lucro, uma vez que o mundo todo está caminhando para uma metodologia de remuneração baseada em valor, tratando a saúde ao invés da doença”, explica.