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Entidades de surdos criticam lançamento de tradutor de libras financiado pelo Ministério do Planejamento

As entidades representativas de surdos no Distrito Federal e em âmbito nacional, ICEP Brasil – Instituto Cultural Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil, CBS – Confederação Brasileira de Surdos, CBDS – Confederação Brasileira de Desportos de Surdos, ASB – Associação dos Surdos de Brasília, ASSURP – Associação Sócio Cultural dos Surdos de Planaltina, FENEIS – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, FBDS – Federação Brasiliense Desportiva dos Surdos e a ADSB – Associação Desportiva dos Surdos de Brasília, tomaram conhecimento da previsão do lançamento do projeto denominado VLibras, financiado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Diante da ausência da participação da comunidade surda, através das suas entidades representativas e após análise da ferramenta, constatou-se diversas deficiências no projeto.

Intérpretes, surdos e linguistas, observaram que a plataforma ainda é ineficaz para atender as expectativas dos usuários, no que tange à quantidade de sinais, que não soma sequer 3 mil, sendo que a Língua Brasileira de Sinais tem 11 mil sinais, sem considerar a regionalidade que pode ampliar esse número.

As instituições de surdos, elencaram alguns pontos fundamentais da ferramenta:

a) As palavras de uso comum que dispõem de sinais específicos não estão inseridas na base de sinais do VLibras. Nestes casos, a soletração não é adequada, o sistema, no entanto, ignora os sinais e opta, na quase totalidade, por soletração (datilologia), dificultando o entendimento da mensagem;

b) O sistema não faz contextualização das mensagens, mas mera tradução palavra por palavra, ocasionando a não compreensão dos textos traduzidos, como por exemplo, a tradução da expressão conta-corrente (o sistema traduz “conta” como se fosse calculo e “corrente” como sendo corrente de metal), da palavra “pedido” (o sinal apresentado pelo VLIBRAS, significa apenas um “pedido a Deus”), dentre outras (falha que merece total reparo, pois não há LIBRAS sem contextualização com a língua portuguesa), ignorando totalmente as regras linguísticas;

c) Não tem expressão facial (os sinais em LIBRAS são compostos de expressões faciais, corporais e gestuais);

d) O idioma LIBRAS (reconhecido como um dos dois idiomas oficiais do Brasil) é recente e está em constante evolução, de modo que a atualização da base de sinais é tão importante quanto o desenvolvimento da aplicação, assim, é imprescindível ter uma entidade responsável permanentemente pela manutenção e atualização desta base, pois isto não é papel da Universidade além de representar um mau investimento do dinheiro público em um projeto que não atenderá a sua finalidade;

e) Não faz sentido que um serviço desta natureza seja prestado por um laboratório de pesquisa, portanto, duvidamos da continuidade da prestação do serviço;

f) O sistema não é intuitivo, de modo que há dificuldade de customização e instalação em diversos ambientes e não esta claro a quem se deve recorrer para suporte, que será uma necessidade constante;

g) A versão apresentada afeta significativamente o desempenho da máquina do usuário quando longos textos são selecionados. Em máquinas de baixa performance a lentidão impossibilita o uso.

O Tribunal de Contas da União, por meio do Acórdão nº 500/2016 – TCU – Plenário, estabeleceu um prazo para que o Ministério do Planejamento garanta a manutenção evolutiva da solução VLibras.