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Especialista enfatiza prioridade na regulamentação da telemedicina

A telemedicina muda o modelo de negócio, a remuneração e toda a cadeia da saúde. 2019 é o ano da virada. Estima-se que de 20 a 25% das consultas serão feitas remotamente nos próximos 5 anos. A preocupação desse ano é resolver a questão da consulta remota, telemedicina, estabelecer um relacionamento remoto entre o médico e o paciente. Em SP já existem 3 mil médicos atuando dessa forma.

Essa é a opinião de Guilherme Hummel, coordenador cientifico do HIMSS@Hospitalar e head mentor do Health Mentor Institute, acrescentando que um dos principais desafios é quebrar o corporativismo do setor.

Em fevereiro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) revogou a resolução 2.227/2018, que regulamenta a prática da telemedicina. Semanas antes, o mesmo conselho havia aprovado o texto, mas recebeu uma série de propostas para modificá-lo, além de ter sofrido com protestos por parte da classe médica. Com a mudança, estariam permitidos no país consultas, exames e cirurgias a distância. Os críticos questionaram a garantia de sigilo das informações médicas e os riscos quanto à qualidade do atendimento ao paciente.

A Telemedicina deve movimentar no Brasil nos próximos cinco anos entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões. Segundo Hummel, mesmo com sua adoção e regularização do serviço por parte do CFM, 20% a 25% das consultas médicas serão a distância, o que representará de 20 mil a 30 mil consultas anuais

“A média de uma consulta no país é de 7 minutos e no sistema público as pessoas podem esperar até 3 meses para ser atendidas. Existem no mundo mais de 7 bilhões de pessoas com 1,3 de patologias por pessoa. Estudos indicam que o mundo precisa de 8 milhões de médicos. E será impossível formarmos tantos médicos em um curto espaço de tempo. A telemedicina pode ajudar a resolver parte dessa demanda. A India, por exemplo, um país com enormes carências, conseguiu reduzir 20% o glaucoma com teletriagem”, ressalta.

“Temos no Brasil cerca de 6 mil hospitais e apenas 10% deles faz triagem. Ficam na mesma fila de atendimento alguém que está com gripe e alguém com AIDS. A telemedicina pode ajudar nessa triagem e direcionar o paciente”, acrescenta. ,

Segundo a Organização Mundial de Saúde, no mundo hoje há um déficit de 8 milhões de médicos. “A telemedicina pode suavizar esse déficit, pois mesmo que haja um investimento maciço na formação de médicos, é necessário um tempo longo para essa formação”, enfatiza.