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Os desafios de modernizar o mercado odontológico

A tecnologia impacta a forma como nos relacionamos e fazemos negócios em todos os setores da economia, desde a compra de produtos, busca por educação ou até mesmo o começo de um relacionamento. Hoje, a distância de um desejo até a realização ou materialização dele se resume a alguns cliques, tudo acessível na palma de nossas mãos.

Muitos de nós já estamos habituados a utilizar diferentes aplicativos diariamente para suprir nossas necessidades. Pegamos um Uber para ir ao trabalho, compramos o almoço no IFood, fazemos a compra do supermercado pelo Rappi, relaxamos no fim do dia assistindo uma série no Netflix e por fim programamos nossa viagem dos sonhos pelo Airbnb. Tudo isso assim, simples e acessível no momento que queremos.

Começamos a notar a entrada da tecnologia de forma rápida e consistente também no setor da saúde. Além de toda a modernização de equipamentos para a realizar procedimentos cirúrgicos a distância, inteligência artificial e machine learning para auxiliar os diagnósticos precoces de doenças, já é comum em alguns países a consulta virtual, em que não precisamos ao menos sair de casa para ser atendido por um médico. É minha gente, a tecnologia veio mesmo para ficar!

E quando pensamos na odontologia:a que pé anda a entrada da tecnologia em um setor tão tradicional acostumado ao conhecido “barulhinho” do motor que assusta qualquer paciente?

Antes de entrarmos nestes detalhes, gostaria de compartilhar com vocês um panorama atual do mercado odontológico brasileiro. Você sabia que o Brasil é o país com o maior número de dentistas no mundo? Sabia que exportamos conhecimento para o mundo todo através de nossas universidades, que estão entre as principais publicadoras de artigos científicos neste setor? Sabia que somos considerados por muitos países de primeiro mundo como referência nos tratamentos odontológicos? E que, de quebra, temos muitos profissionais brasileiros em cargos de extrema importância em universidades e empresas do setor mundo afora?

Pois bem, somos uma potência neste setor mesmo não tendo o acesso fácil a toda tecnologia existente no mercado hoje. Nossas leis fiscais e de importação de produtos são muito burocráticas e antigas, o que muitas vezes atrasa em anos a chegada de uma nova tecnologia no país. Por isso, um movimento forte no setor vem sendo feito para que consigamos acelerar a entrada de mais inovação,permitindo que nos tornemos ainda melhores.

Os resultados destes movimentos já começaram a surtir efeito, permitindo que algumas clínicas e laboratórios de prótese já tenham acesso a equipamentos de última geração com preços mais acessíveis. O desafio agora é educar os profissionais na utilização destas novas ferramentas para que possam oferecer um atendimento muito melhor aos seus clientes. Já é realidade, em alguns consultórios, o scanner intra-oral, que substitui a moldagem dos dentes – procedimento realizado pelos dentistas para copiar os dentes dos pacientes utilizando uma “massinha” que além de sujar toda a face causava muita ânsia de vômito (quem nunca?). O scanner intra-oral faz milhares de fotografias da boca do paciente e permite a reprodução fiel dos dentes e mordida, tudo isso entre 1 ou 2 minutos.

A velocidade na geração dos arquivos, além de gerar um maior conforto ao paciente,  também permite ao dentista ter mais fidelidade e número de dados para analisar a saúde oral dos mesmos. Softwares de desenho digital do sorriso também chegaram para imprimir uma velocidade enorme na realização dos tratamentos. Ficou muito mais fácil para um dentista se comunicar com seus clientes por meio de imagens que constroem um novo sorriso em poucos segundos.

Também já temos hoje dispositivos que utilizam inteligência artificial e machine learning que auxiliam os dentistas na seleção da melhor forma de dentes para cada paciente. Anestesia computadorizada, laser para cirurgias e motores elétricos que eliminam o chato barulhinho do motor também já podem ser encontrados nos consultórios.  E a tecnologia não está restrita somente aos consultórios não, muitos laboratórios já estão trabalhando com softwares de desenho de sorrisos, impressoras 3D e máquinas que constroem um dente em poucos minutos dentro de um padrão de qualidade absurdo, substituindo o processo manual/analógico praticado anteriormente.

O meio tech aos poucos vem criando uma mudança radical na forma como cuidamos da saúde oral de nossos pacientes. Isso permite que mais profissionais possam oferecer tratamentos de qualidade a preços mais acessíveis e que realmente possamos democratizar a odontologia de excelência. A caminhada é longa, mas tenho certeza que isso vai crescer e cabe a nós, profissionais da saúde, nos aprimorarmos na utilização destas inúmeras ferramentas para que possamos fazer mais pessoas felizes com uma boca saudável e um belo sorriso.

Luis Calicchio, dentista com mais de 15 anos de experiência, CEO e fundador da UDlab, primeira odontotech do Brasil.